Nossa história


Não se começa nada do zero.

A história do Ilê Axé Ijobá de Oxum e Bará remete à época da resistência e formação do batuque do Sul, na década de 60 e 70. A sua origem foi marcada pela luta e resistência. Sua fundadora, Judith de Ogum (Judith Ayres), mãe de 13 filhos e muitos outros de coração, nascida na cidade de Formigueiro/RS, passou pelas cidades de Uruguaiana, e como esposa de ferroviário viajou o Rio Grande do Sul pela estrada de ferro, e acabou fazendo residência definitiva em Santa Maria/RS. Foi uma sacerdotisa com grande propriedade para introduzir e difundir o culto dos caboclos e aos Òrìsà. Curou muitas pessoas que batiam em sua casa, era parteira, rezadeira, benzedeira e conhecedora de ervas e chás, deixou um rico legado ao Ilê sobre o conhecimento do uso medicinal e litúrgico das ervas ativa e atuante nos cultos de umbanda e nação africana.

A sucessora de Mãe Judith de Ogum é Iyá Sandra de Oxum (Sandra Aires, sua neta carnal), sendo a escolhida por Ogum para continuar o legado da casa, tendo iniciado a transição do comando do Ilê de Ogum e C.E.U Reino da Pai Ogum das Matas em 1995, e após dois anos, Mãe Judith de Ogum parte para Orum, deixando apta para tocar a Quimbanda e Umbanda do Ilê e aos 17 anos de idade recebe os últimos axés de nação sendo considerada pronta (Iyá), com os mesmos princípios: reconstrução familiar e resgate religioso e seus descendentes. Iyá Sandra de Oxum destaca-se por seu ativismo político, além de dar continuidade as atividades religiosas e culturais de sua avó. Em seu tempo, tornou-se uma referência de luta e de força das mulheres negras em Santa Maria e região, atuando energicamente na campanha antirracista, sexista e de valorização da cultura africana. Em sua gestão que o Ilê de Ogum, agora denominada Ilê Axé Ijobá de Oxum e Bará, ganha uma nova sede, mas na migração do seu axé, continua no Bairro Passo da Areia.